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Abrigo das letras

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30
Out16

Domingas #2(conto)

Maria Flor

Domingas era uma mulher pobre porque não possuía mais nada além daquele casebre em que vivia e uma vasta área de terreno fértil em volta, era o único bem que possuía e era a sua vida, sabia ler  e escrever e sempre andara atenta ao que se passava em seu redor, não era uma mulher tôla que nada percebia e que se deixasse enganar facilmente, por isso, atentamente ouviu e analisou o que o dito primo lhe falou. Calmamente lhe perguntou - Caro primo, e como pensa em ajudar-me, porque já percebeu que não sou pessoa com uma vida facilitada, mas alerto-o que à minha maneira, aqui sou feliz e me contento com o que me é permitido ter.

Perante esta pergunta e este "aviso", Jorge sentiu que a sua missão ali estava um pouco comprometida, já que o que ali o trouxera tinha mais um objetivo além da "ajuda" que pretendia oferecer á sua prima, tinha portanto que ser cauteloso nas palavras se queria ser bem sucedido na sua missão.

- Prima Domingas, numa volta que já dei à aldeia, pois tinha curiosidade em ver a casa onde o meu pai nasceu e onde foi tão feliz na sua juventude, fiquei a saber onde vive, noto que é uma casa modesta, que necessita de alguma obras....

Domingas reflectiu nas palavras que acabara de ouvir, sabia que não tinha posses para reparar fosse o que fosse, mas alguma coisa lhe dizia que não confiasses nem um pouco nas palavras mansas daquele desconhecido bem vestido chegado de um lugar qualquer naquele belo carro, dizendo-se seu primo, assim foi dizendo: - sabe, primo, aquela casa que viu é o meu mundo, ali eu tenho as minhas galinhas, o meu cão e o tareco, as minhas couves e árvores de fruta, as sombras no calor do verão e a lareira acesa no inverno, eu sou feliz ali primo..... 

(Continua no próximo domingo)

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