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Abrigo das letras

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17
Out16

As cartas que esperam

Maria Flor

Um dia a senhora X falou-me das cartas, não me revelou o seu conteúdo, até porque, diz ela que já não se lembra bem das palavras, mas diz que foi uma época muito bonita da sua vida. Falou com nostalgia e saudade da época em que as recebeu e escreveu.

As cartas que há tantos anos guardava, continham palavras que o tempo se encarregara de remeter para um patamar que ficava retido numa outra circunstãncia. Por vezes, a tentação de relê-las assaltava-a e ficava paralizada defronte do baú onde elas repousavam, sobrepostas umas sobre as outras e unidas por uma fita azul que as não deixava separarem-se. As palavras que ficaram guardadas no tempo e que são uma memória fisica de alguém especial que um dia pegou na caneta e escreveu o que o coração ditava. Espelhou sentimentos, alegrias e tristezas vividas. São assim as cartas.

Dentro do baú as cartas esperavam pacientemente que chegasse o dia em que a coragem atingisse o nível certo e que fossem novamente lidas, mas esse dia tardava em chegar, a senhora X tinha receio de o fazer, tinha receio de que as emoçoes, as saudades fossem tantas que não coubessem dentro do seu coração.

Assim, as cartas iriam continuar no mesmo lugar, na mesma posição, guardando os seus segredos perpetuando os momentos vividos!

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