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Abrigo das letras

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18
Out16

A Lua

Maria Flor

Num sopro brusco apagou a vela que deixou um aroma a baunilha atrás de si. Acabara de se preparar, o cabelo estava impecável, a roupa caía que nem uma luva, não era quente nem muito fresca, olhou as mãos, ficou contente com o que viu, as suas unhas estavam pintadas de um vermelho paixão, calçara uns sapatos de salto e perfumara-se com o seu perfume favorito, olhou o espelho e disse para si mesma - estou linda, não tenho uma cara bonita mas estou linda. Sempre achara que o seu rosto tinha pouca graça, embora as pessoas dissessem o contrário. Naquela hora olhara o espelho e via que estava linda e elegante.

Já não era muito nova, combinara aquele encontro porque ele insistira, porque ele queria estar um pouco com ela.

Num sopro brusco apagou a vela e cruzou a porta da entrada, os seus pulmões absorveram o ar húmido da rua, a noite ainda não tinha caído totalmente, olhou em frente, ficou fascinada, a Lua, grande e esplendorosa, resplandecia como sendo a coisa mais bela alguma vez vista, perdeu-se a olhar para ela, aguardou que a companhia do seu jantar chegasse.

Já no carro, não tirava o olhar da lua, para qualquer lado que o carro se dirigisse, ela estava sempre ali, à frente, sempre tão perto, quase lhe conseguia tocar, era só estender mais um pouco a mão, mais um pouco.... sempre mais um pouco....

Absorta na lua, esquecera-se  até que estava acompanhada, apenas contemplava a lua que a hipnotizava com a sua luz brilhante. Ele perguntou-lhe: estas aqui?

Estupefacta, acordou, desculpou-se como pôde e falou-lhe da Lua de como se sentia bem a contemplá-la. Ele parou o carro e ambos contemplaram a lua. O jantar esperava, não era todos os dias que a Lua podia ser observada com tanta beleza! 

lua.jpg

 

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