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Abrigo das letras

Abrigo das letras

31
Mar16

Dadores de sangue

Maria Flor

"Os dadores de sangue vão passar a ficar totalmente isentos do pagamento de taxas moderadoras no SNS, nomeadamente quando se dirigirem aos hospitais. Atualmente, têm uma isenção parcial que abrange apenas os cuidados de saúde primários."

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É já a partir do dia um de Abril que vai ser reposta a isenção que tinha sido retirada em 2010 aos dadores de sangue. A isenção da taxa moderadora nos hospitaiss é uma isenção bem merecida. As pessoas que dão sangue não o fazem especialmente para susufruir deste benefício. Quem dá, fá-lo por motivos muito superiores a isso. Falo com experiência própria, é um pedacinho de mim que adicionado aos pedacinhos de outras pessoas fazem um pedaço grande. Esse pedaço de vida vai ajudar a salvar muitas vidas, é esse o maior dos incentivos.

E não custa nada, é como quem vai tirar sangue para fazer análises.

30
Mar16

As serviçais

Maria Flor

Já tinha lido o livro, agora vi o filme!

Posso dizer que gostei muito do filme, mas gostei mais do livro como acontece sempre com todos os livros que leio e são adaptados ao cinema.

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 Esta é uma história passada na América nos anos sessenta e retrata  a classe "alta" do mundo dos brancos e a classe "baixa" constituída pelos negros, estes serviam os brancos. Retrata quanta maldade e superioridade pode existir no interior  das pessoas. As criadas negras que deixam os seus filhos sozinhos para irem criar e educar os filhos "brancos" dos outros. Patrões e principalmente patroas que se julgam donas das suas criadas, que se  acham no direito de rebaixar quem as serve, quem educa os seus filhos, quem lhes prepara a comida e quem lhes trás casa num "brinco". 

Recomendo!

30
Mar16

O carneirinho branco

Maria Flor

Mamã conta-me uma história, é assim todas as noites, a menina pede, a mãe conta.

Aconchegada no calor da sua cama e embalada pelas palavras da historia que a mãe vai contando, a pequenina vai ouvindo e absorvendo como música a história até adormecer. Umas vezes a mãe lê a história de um livro, outras vezes a mãe inventa.

 

Era uma vez um carneirinho muito branco, pequenino, com o pêlo de lâ ainda curto mas muito fofinho, pastava ao lado da mamã ovelha, uma ovelha grande de pêlo amarelado e emaranhado. O dia estava frio, mas eles não tinham frio, os rolinhos de lã que os cobriam eram muito quentinhos. O carneirinho sentia-se protegido, a sua mãe oferecia-lhe muita segurança. Um dia apareceram outros carneirinhos para pastarem no mesmo sitio, o carneirinho branco distraiu-se a brincar com eles e afastou-se sem dar por isso, quando reparou, não viu a sua mãe, assustou-se e começou a chamar por ela - mãe!

 

A mãe não o ouviu, e ele começou a correr por aquele verde e imenso prado, à procura. Por sua vez, a mãe quando deu por falta do filho, também ela ficou apavorada à procura. Chegou a noite e não se  encontraram, o carneirinho apesar de ser pequenino, era forte e destemido, encontrou uma pequena gruta e entrou nela para se abrigar do frio e ali ficou a pensar e a chamar baixinho a sua mãe. Não tinha medo, no dia a seguir iria procurar de novo a mãe e sabia que ela também estava triste e que também o iria procurar, de certeza que se haviam de encontrar.

 

Durante a noite outros animais também se quiseram proteger do frio e também procuraram aquela gruta, primeiro chegou o esquilo que ficou muito admirado por ver ali, no que ele dizia ser sua e dos seus amigos, aquela gruta, ficou portanto surpreendido por encontrar ali um carneirinho.

- Como encontraste a minha gruta? perguntou.

- Perdi-me da minha mãe e não sei o caminho de casa, posso ficar aqui contigo esta noite?

- Sim, respondeu o esquilo, mas sabes, estão a chegar os meus amigos que também ficam aqui.

O carneirinho olhou para o esquilo durante alguns segundos e percebeu que o esquilo era meigo e compreensivo, por isso disse:

- Não faz mal, eu posso vos fazer companhia!

 

Entretanto começaram a chegar os amigos do esquilo, veio o coelho, o rato, e ainda um cabritinho. O esquilo foi apresentando o carneirinho a todos os seus amigos. O cabritinho a todos cumprimentava com um sorriso e todos ficaram a gostar muito dele e a noite passou muito depressa. Assim chegou a manhã, todos se levantaram, todos tinham coisas para fazer. O cabritinho despediu-se de todos agradecendo a cada um em particular a hospitalidade deles e prometeu vir visitá-los de vez em quando. Agora tinha de ir procurar a mamã ovelha que devia estar aflita à sua procura.

 

Ainda não tinha andado muito quando avistou ao longe uma sombra que depressa distinguiu como sendo a mãe, correu para ela abraçou-a e contou-lhe a sua aventura da noite.

 

Meu filho, eu estava muito preocupada contigo, não sabia o que te tinha acontecido, mas agora que aqui estás a salvo, estou muito orgulhosa de ti pois soubeste agir com prudência!

 

O que é prudência mamã?

 

Prudência é observar com cuidado as coisas antes de tomar as decisões. Por exemplo, o carneirinho antes de decidir ficar na gruta com o esquilo e os seus amigos, obervou com atenção o esquilo para ver se podia confiar nele!

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28
Mar16

A tenda vermelha

Maria Flor

A tenda vermelha

"A história apresenta a vida de Diná, filha de Jacó e Lia, mencionada no livro do Génesis. Relembrando a sua trajetória, ela apresenta o quotidiano das mulheres nessa época.

Lia, Raquel, Zilpa e Bila, esposas de Jacó, unem-se para criar os doze filhos numa terra estrangeira, enquanto Diná testemunha a formação de uma sociedade. Entretanto, ela casa com um príncipe e envolve-se com um assassino."

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Este foi o meu filme de eleição desta Páscoa, passou na SIC. Para quem não viu e gosta deste gênero, aconselho. É um bom filme e ainda o pode ver nas gravações!

 

28
Mar16

Excesso de confiança

Maria Flor

Por vezes somos traídos pelo excesso de confiança que depositamos em nós próprios. Não é habitual ver o programa "Big picture", mas naquele dia estava a ver, o concorrente numa determinada pergunta, afirmou logo que aquela era a resposta certa, não havia qualquer dúvida, aquela era a resposta certa, de tão convencido que estava que era aquela a resposta nem se apercebeu da dica de ajuda do apresentador. Ainda tinha as três ajudas disponíveis, mas para quê usar uma ajuda se a resposta era de certeza aquela.

 

Por vezes acontece afirmarmos com certeza absoluta uma questão que na verdade não é a verdade.

 

Quando o apresentador revela a resposta certa, o concorrente ficou atordoado, todas as certezas se desfizeram em cacos, como era possível aquilo, a resposta na qual depositara tanta certeza não era a certa e tinha as três ajudas.

 

Certezas, também já me aconteceu muitas vezes afirmar com nítida certeza algo que pouco depois a certeza inicial se transforma em muitas dúvidas.

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Assim, confiança e prudência devem andar de mãos dadas para não sermos traídos por nós mesmos! 

26
Mar16

Eram bandos de pardais à solta

Maria Flor

As férias da Páscoa representavam,levantar cedo e espantar pardais. Vinham aos bandos, pousavam na sementeira e, se ninguém os espantasse comiam até lhes aptetecer, e vinham outros e outros até não haver mais sementes para comer.

Eram bandos de pardais à solta, mas não eram os "pardais" que Carlos do Carmo muito bem canta, eram de facto pardais, mesmo pardais à solta em grandes bandos.

 

De manhã cedo Margarida era acordada pelo seu pai, tinha uma tarefa para aquele dia. Após o pequeno almoço feito de café com leite e pão com manteiga, Margarida agasalhava-se o melhor que podia e saía de casa tendo como destino a fazenda onde o seu pai há poucos dias tinha feito sementeira. A manhã era muito fria, à medida que ia caminhando ia encontrando grandes espaços de ervas verdes cobertos de um manto branco, uma geada branca e fria que se dissolvia com o aquecer do sol, ia também encontrando pequenas poças de água congelada, divertia-se a pisá-las e a sentir o gelo estalar debaixo dos seus pés, como se fosse vidro a partir, calçava botins de borracha e assim podia passar por cima das poças. O caminhar não deixava que os pés arrefecessem. O sol já despontava para lá daquela linha entre a terra e o espaço, era de uma cor alaranjada, linda de se ver, formava uma pintura deslumbrante digna de artistas de famosos.

 

Chegada à fazenda, construia um espécie de uma tenda com sacas grandes de serapilheira e alguns paus ou então com um grande chapéu de chuva, no chão estendia outra saca de serapilheira. A manhã era muito fria. Tinha uma lata velha e um pau, espantava os pardais batendo na lata que produzia um barulho muito forte que os assustava, por vezes eles já se acostumavam ao barulho e não iam embora, continuavam a comer as sementes tranquilamente. Os pardais vinham em grandes bandos alimentar-se das sementes que o pai de Margarida deitara à terra. Quando as sementes começavam a germinar era altura própria para eles comerem tudo se não se estivesse atento. O periodo que decorria entre o começo de germinar até estar toda a sementeira germinada era critico, por isso, dentro deste periodo era preciso estar atento à passarada.

Margarida passava horas sozinha na fazenda espantando pardais, nestas horas apreciava o silêncio, apreciava a natureza, tentava destinguir alguma variedade diferente de pássaros e sonhava, sonhava tanto que por vezes se esquecia dos pardais que com tranquilidade comiam as sementes que o seu pai semeara, sonhava com a vida nas cidades, sonhava estudar numa grande escola e tirar um curso para poder fazer outra coisa que não fosse espantar pardais. Não sabia ainda que a vida no campo é muito mais saudável que a vida nas cidades e que o previlégio que tinha nessa altura de poder andar livremente por onde lhe apetecia, hoje é impensável, existe sempre o medo de raptos e coisas do género.  Assim, esperava ansiosamente pela hora do almoço e de seguida pelo o pôr do sol, a hora de deixar a fazenda, para no dia a seguir ir para lá outra vez. Eram assim dias seguidos nas férias da Páscoa.

 

 

Amanhã é dia de Páscoa, Margarida não vai para a fazenda, o seu pai irá para lá de manhã, depois irão todos á missa e a seguir irão almoçar galo da capoeira corado no forno com batatas fritas e arroz, a sua mãe preparará também uma canja com os miúdos do galo à qual adicionará uma folha de hortelã.

 

Foi assim nos anos sesseta/setenta, Margarida recorda-se bem dessa época.

 

Amanhã é dia de Páscoa! 

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25
Mar16

Sexta feira Santa

Maria Flor

Sexta feira Santa!

"Jesus agonizou na cruz por aproximadamente seis horas. Durante as últimas três, do meio-dia às três da tarde, uma escuridão cobriu "toda a terra" .

Quando Jesus morreu, houve um terremoto, túmulos se abriram e a cortina do Templo rasgou-se cima até embaixo. José de Arimateia, um membro do Sinédrio e seguidor de Jesus em segredo, foi até Pilatos e pediu o corpo de Jesus para que fosse sepultado. Outro seguidor de Jesus em segredo e também membro do Sinédrio Nicodemos, foi com José de Arimateia para ajudar a retirar o corpo da cruz. Porém, Pilatos pediu que o centurião  que estava de guarda confirmasse que Jesus estava morto e um soldado furou o flanco de Jesus com uma lança, o que provocou um fluxo de sangue e água do ferimento."

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23
Mar16

Quando o telefone fixo toca

Maria Flor

Antes só existia o telefone fixo, era preciso chegar a casa para poder contatar com as pessoas que precisavamos de falar. Era preciso chegar a casa para que os outros nos contatassem, muitas vezes a interromper a nossa preparação do jantar ou do banho das crianças. Ouvia-se aquele toque estridente trrrriiim, lá corriamos para o telefone antes que se desligasse e ficavamos para saber quem tinha ligado. Hoje não é nada assim, tudo mudou e muito.

 

Agora, quando o telefone fixo toca, quase sempre são aquelas pessoas que nos querem impingir qualquer coisa, um seguro, um cartão de crédito ou uma coisa qualquer de saúde.

 

Começam assim: boa tarde ou bom dia,conforme a hora, estou a falar com a senhora tal.... fala de... quase nunca se percebe o nome que elas ou eles dizem de onde falam, o que nos obriga a a pedir que repitam. É quando eles ou elas repetem o nome do sitio de onde falam que eu lhe digo logo - desculpe, já sei que me está tentar vender qualquer coisa, não estou interessada - mas ainda não ouviu o que tenho para lhe "oferecer" é uma excelente oportunidade - e eu, desculpe, eu a apelar a toda a minha paciência para não ser mal educada, desculpe mas eu não estou interessada em cartões, não quero cartões, e ele ou ela a insistir, e eu a terminar, - desculpe, estou muito ocupada e vou desligar. Desligo.

 

Com todo o respeito que tenho por eles ou elas, sei que estão a fazer o seu trabalho o melhor que sabem, e que esse é o seu trabalho, para isso recebem o salário ao fim do mês, mas que chegam a ser irritantes é uma verdade.

 

E quando dizem que vamos receber em casa qualquer coisa que não temos que pagar nada, eu aviso de imediato, não mandem nada porque eu não quero nada, percebeu.

 

Quando o telefone fixo toca, lá vou atender, às vezes não são eles ou elas, também são as manas ou as amigas!

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