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Abrigo das letras

Abrigo das letras

28
Fev16

Pessoas arrogantes

Maria Flor

 

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"Existe uma grande diferença entre confiança e arrogância. A confiança inspira os outros, a arrogância intimida. Pessoas arrogantes acham que sabem tudo, pelo que nunca vão reconhecer o valor dos outros."

 

Adriana aproximara-se de Marisa com voz meiga e gestos de amizade, ia-lhe confiando alguns aspetos da sua vida no sentido de ganhar a confiança de Marisa. No entanto, quando as coisas não estava de feição, ficava irritada e punha a nu toda a sua própria natureza, o seu timbre e entoação de voz começava a dar sinais de pessoa arrogante e desconfiada. Fazia-se de vitima por tudo o que acontecia, mesmo pelos erros que ela própria tinha cometido e que atribuia a culpa aos outros, pois só ela sabia fazer as coisas, só ela queria poder controlar tudo com uma segurança que sabia não possuir, o que a deixava ainda mais azeda, não admitindo tal facto. As opiniões dos outros jamais tinham relevância. Sentia sem admitir, inveja e ciúme por aquelas pessoas que de alguma forma eram superiores a ela. Aos poucos, Marisa ia descobrindo que algumas das coisas que Adriana lhe contava eram mentira, começou a perceber que Adriana estava a querer controlá-la e manipulá-la, mas, Marisa, ao perceber o esquema, não se deixou intimidar, foi-lhe respondendo à letra. 

Adriana era uma pessoa toxica.

Uma pessoa a evitar!

 

 

27
Fev16

Sem abrigo

Maria Flor

Através das vidraças vai olhando as grossas bagas de granizo que se espalham no chão, vê o dia tornar-se noite, sente um frio gélido na pele, o vento rodupia....

É sabado, aninha-se no sofá da sala, pega um livro, mas o pensamento está naqueles que não tem um sofá para se anhinhar, nem tão pouco uma casa onde se abrigar. Está naqueles que vivem na rua embrulhados na sua tristeza, à espera de uma sopa quente que lhes aqueça o estómago e a alma. Está naqueles que fazem da rua a sua casa, de papelão a sua cama e se embrulham num qualquer cobertor que lhes foi dado, qualquer canto onde a chuva não chegue serve para fazer a sua casa naquela noite. Vivem no meio da sociedade mas à margem dela, são intitulados "sem abrigo".

sem abrigo.jpg

 

25
Fev16

Facebook

Maria Flor

"Estudo revela que as pessoas mais solitárias são aquelas que partilham mais pormenores sobre si mesmas nas redes sociais.

Entre os vários tipos de utilizadores do Facebook, há quem faça da rede social criada por Mark Zuckerberg uma espécie de diário, partilhando tudo o que se passa consigo, inclusive pormenores da vida pessoal. Agora há uma explicação. De acordo com um grupo de investigadores da Universidade Católica João Paulo II, de Lublin, na Polónia, quanto mais sozinhos se sentem os utilizadores da rede social, maior é o número de detalhes pessoais que publicam no seu mural."http://www.dn.pt/sociedade/i

facebook.jpg

 

23
Fev16

Mundo justo

Maria Flor

UTOPIA

mundo justo.jpg

 

Sonho com um mundo justo
em que todos tenham direito ao pão,
à arte, à saúde, à poesia...
 
Sonho com um mundo livre
da ingnorância, da vaidade,
da hipocrisia...
 
Sonho com um mundo solidário,
irmão, em que o amor
se conjugue numa linda melodia...
 
Sonho com bosques e flores,
estrelas e borboletas,
cometas de alegria...
 
Utopia?
 
São as cortinas de minha alma
Afugentando estradas vazias.

(Paola Caumo)

22
Fev16

Nada

Maria Flor

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Vagueio por aí

não sei o que procuro

os dias correm iguais

cada um com a mesma procura,

Nada,

não procuro nada

os dias são vazios

de cor e de esperança

deixo-os correr, deslizar, 

como o pincel 

que desliza sobre a tela

como a onda que desliza

sobre a areia!

(Por Maria Flor)

 

19
Fev16

Remorsos

Maria Flor

Quem não sentiu já remorsos de alguma atitude que tomou ou de alguma coisa que disse e depois se arrependeu? quem não sentiu já esta angústia que poderia ter evitado? O remorso quando é sentido de verdade é uma sensação muito intensa que provoca um tal estado de mal estar, induzindo a uma tristeza  que fica a fervilhar no interior da alma por um prazo mais ou menos longo, dependendo do grau de intensidade do que foi feito ou dito. Ao mesmo tempo sugere um grau de resignação, o que atribui ao remorso um certo grau de dignidade. Em termos de atitude o remorso pode ser entendido como algo entre a tristeza que envolve uma aceitação e a angústia e que envolveria uma não aceitação.

 

Era o final do turno, alguém lhe pediu se não se importava de executar certa tarefa, olhou o relógio, passavam alguns minutos do seu horário de saída - disse que não - e foi embora.

 

Aquele não iria martelar-lhe nos ouvidos e esganar-lhe o sono. Sem que quisesse o  arrependimento surgiu de imediato. (isto de sentimentos não é como nós queremos) Faz parte na nossa natureza e da educação que tivemos. Já não havia volta a dar - o que foi dito não se pode apagar com uma borracha, mesmo que consigamos apagar superficialmente, fica sempre a marca. O remorso de um simples não obrigou-a a refletir maduramente durante horas num assunto que não era muito relevante, obrigou-a a tomar outras atitudes de futuro, obrigou-a a crescer mais um bocadinho!

Remorso - Olavo Bilac.jpg

 

 

 

14
Fev16

Amor é Fogo

Maria Flor

 

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  Amor é Fogo que Arde sem se Ver

 
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se e contente;
É um cuidar que ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"
06
Fev16

Recordar é viver

Maria Flor

Abeirara-se da arriba para mais uma vez deslizar o olhar sobre a imensidão de azul que se estendia à sua frente, uma imensidão de azul salpicada por "carneirinhos brancos". Na linha em que o mar e o céu se dividem, avistava os contornos de uma embarcação. Assim permanecia por largos momentos e a sua memória vagueava por outras paragens, esquecia-se do local e do tempo onde estava.

 

Pareceu-lhe ouvir alguém chamar o seu nome - Violeta, não ligou, absorta que estava nas suas recordações, voltou a ouvir, Violeta - voltou-se, e na sua frente estava alguém que a olhava, alguém que não reconhceu.

- Não me reconheces Violeta, estou assim tão diferente? perguntou a pessoa que tinha pronunciado o seu nome.

- Conheço-o de algum lado? perguntou.

Devo estar realmente muito diferente para não me reconheceres, ao invés de ti que estás sempre igual, parece que tens uma aliança com o tempo, estás sempre bonita! Tenho-te visto algumas vezes sem que tenhas percebido.

Galanteio ou simpatia... O tempo passou para os dois e se encarregou de dar a cada um a sua marca, mais ou menos pronunciada.

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Aos poucos, começou a reconhecer alguns traços de juventude que a passagem dos anos teimava em apagar, aquele rosto que lhe pareceu estranho, tornava-se agora familiar, sim, era ele, não havia dúvida era Carlos. 

 

De estatura baixa, agora de barriga algo saliente a puxar para gordo, cabelo grisalho e barba de alguns dias, passava realmente despercebido a um olhar meio distraído. Mas, sim, era ele.

 

Quarenta e tal anos se passaram sem nunca mais se terem visto ou falado e, agora que ali estavam, também nada se apresentava para dizer. Optaram por falar do rumo que as suas vidas tinham tomado, das familias que constituiram, de alguns projetos que concretizaram...

 

Ali, olhando o mar, riram ao recordarem o tempo em que se conheceram, os bailes, os cafés, os pequenos passeios, o convívio, as festas... como "recordar é viver", reviveram um pouco da juventude, da qual ainda sobra uma réstia!