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Abrigo das letras

Abrigo das letras

29
Dez15

Inês de Castro

Maria Flor

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"Inês, com apenas dez anos contempla o cenário onde terá início o primeiro acto de uma tragédia que ficará para a história como uma das mais belas histórias de amor de sempre. A sua ama, pronuncia as palavras que o destino se encarregará de cumprir - «um príncipe amar-te-á pelo teu colo de garça e pelos teus cabelos loiros e as tuas fontes virão a ser cingidas por uma coroa real». No castelo de Peñafiel, Inês e Constança tornar-se-ão irmãs de alma, unidas pelo mesmo amor - D. Pedro. E se um dia mais tarde o príncipe português casar-se-á com Constança respeitando-a pela sua serenidade é a Inês que amará perdidamente – «Inês era a força da cascata, o rumor do mar enraivecido, o roçar do vento quando o cavalo se lança a galope». A morte de D. Constança afasta momentaneamente os dois amantes, mas será então que Pedro e Inês irão viver, na idílica Quinta das Lágrimas, as horas mais felizes do seu infortunado amor. Mas o destino lança nos corações de alguma nobreza as facas da ambição que irão atraiçoar e manchar de sangue o esbelto pescoço de Inês. A beleza lendária de Inês de Castro foi captada na perfeição por esta autora, numa obra que ficará certamente na memória do leitor."

 

 A mais bela historia de amor!

A minha última leitura, uma realidade tornada história que  prende os leitores apreciadores deste tipo de leituras, do principio ao fim! 

 

 

 

 

26
Dez15

Após Natal

Maria Flor

Agora, a ressaca da correria das prendas, da tarefa dos fritos, assados, e doces. Agora tudo volta ao normal, fora as carteiras que ficaram vazias, fora o vazio de espírito de quem viveu o natal só para prendas, fritos e assados... pensa-se já na próxima FESTA que não tarda aí!

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 (imagem da net)

23
Dez15

A prenda dele para ela

Maria Flor

Tinha muito carinho por aquelas rosas, alguém muito especial lhas tinha oferecido, eram três rosas vermelhas dotadas de um perfume perfeito. Tinham sido colhidas de um jardim, criadas ao ar livre. Ele tinha-lhe dito "não te posso oferecer mais nada, ofereço-te estas rosas com todo o carinho que o meu coração nutre por ti". Colocaras-as numa jarra de vidro, no quarto, sempre que passava por elas, tomava-lhes o perfume de perto, era como se um beijo recebesse. Poucos dias passados caiu a primeira pétala, sinal de que o seu fim estava muito próximo, no dia seguinte cairam mais. Foi recebendo as pétalas caídas num pequeno prato banhado a prata, iria deixá-las secar e guardá-las num saquinho de rede fina e colocá-las no armário da roupa. Assim, elas permaneceriam mais tempo com utilidade!

 

Na verdade, ninguém lhe tinha oferecido as rosas que também não eram vermelhas, ela própria as tinha colhido no jardim, a cena tinha se passado apenas na sua memória, ele já partira há muito tempo, mas tinha plantado aquela roseira antes de partir. Todos os anos naquela roseira floresciam aquelas rosas de perfume inconfundível, era a sua preferida. Quando as colhia sentia sempre que era ele que lhas oferecia. Este ano, a roseira ofereceu-lhe rosas no Natal, eram a prenda dele para ela!

(ficção)

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 (imagem tirada da net)

22
Dez15

Pedido de desculpas

Maria Flor

Porque teria Mariana assumido aquele comportamento tão descontrolado? Dizia coisas despropositadas para tarefa que estava a executar, ia ofendendo a colega com palavras e atitudes sem nenhuma razão de ser, ia-a ofendendo profundamente. 

 

Sónia nem estava a acreditar naquilo que estava a presenciar e do qual estava a ser alvo, Mariana parecia um furacão enfurecido que quer arrastar tudo o que lhe aparece pela frente, estava a magoá-la muito com aquela forma ofensiva, brusca nas atitudes e desdenhosa nas palavras. Preferiu calar-se para não acender ainda mais a ira que lia naqueles olhos verdes que transfiguravam o rosto desgastado que se encontrava na sua frente. Ainda tentou tranquiliza-la com algumas palavras, ainda tentou compreender porque estava a colega a agir daquela maneira. Tudo em vão, cada vez a ira subia mais de tom naquele rosto encrespado. Calou-se. Era a melhor atitude a tomar naquele momento. Nada do que dissesse serviria de alguma coisa, por outro lado, qualquer palavra que proferisse, era apenas mais uma acha na fogueira incendiada, por isso se calou.

 

Naquele dia e nos dias seguintes, Sónia não mais falou nem olhou de frente a sua colega de trabalho, não a conseguia encarar, não tinha nada para lhe dizer nem queria ter, tinha sido muito maltratada injustamente. O ambiente de trabalho tornou-se constrangedor.

 

Um dia Sónia e Mariana cruzaram acidentalmente numa grande superfície comercial, ficaram de cara a cara, com a surpresa estampada nos rostos, Mariana foi a primeira a quebrar o espanto, começou a falar como se não tivesse acontecido nada, beijou-a e pediu-lhe desculpa, Sónia estava surpreendida e perplexa com esta reação, não estava disposta a desculpar, não queria reatar nada, ficou sem saber o que dizer, porém, algumas palavras iam saindo da sua boca como que para quebrar o gelo. No entanto, com a insistência de pedido de desculpas, acabou por dizer forçadamente "estás desculpada", a sua boca deixou sair estas palavras mas o seu coração machucado não as disse. Sónia era pessoa de reservas, não desculpava facilmente certas ofensas. Embora tenha proferido a palavra desculpa, não desculpou e continuou a não encarar a colega nem a dirigir palavra. Sónia iria amadurecer este incidente nos dias que se seguiriam. Dizem que o tempo cura tudo, será?

Ou será que o tempo ajuda a refletir nos sentimentos e dar espaço para que a questão que parecia ter contornos tão drásticos, afinal não tinha a dimensão inicial. O coração de Sónia andava inquieto! Queria dar mais uma oportunidade a Mariana mesmo sabendo que ela voltaria a agir da mesma maneira assim que surgisse outro descontrolo. Ainda assim, Sónia ia amolecendo no seu comportamento. 

 

Hoje, Sónia vai desculpando lentamente, a quadra festiva que apela à reconciliação e ao perdão vai aquietando o seu coração.

 

Por vezes, Sónia pensa que tem um coração de pedra? Outras vezes descobre que afinal o seu coração é de manteiga.

 

(texto de ficção) por Maria Flor

 

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(Imagem tirada da net)                                                             

 

 

 

 

 

 

 

 

10
Dez15

A árvore de natal

Maria Flor

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Hoje foi dia de montar a árvore de natal lá em casa, não uma árvore grande onde as crianças não chegam para ajudar a montar mas sim, uma pequenina, onde as crianças chegam até ao cimo para colocar a estrela. Foi o trabalho de casa das gêmeas, a avó colocou as luzes em primeiro lugar, elas colocaram fitas, laços e bolas; a avó montou a cabana com pedaços de madeira para o presépio, elas desembrulharam as figuras uma a uma e, vendo que faltava uma peça, uma das gêmeas pergunta: avó, onde está o menino Jesus?  a avó guardava durante todo o ano a figura do menino noutro local, estava sempre à vista, tinha um carinho especial por aquela figura de menino em posição de deitado num berço, foi buscá-lo e colocou-o nas palhinhas dentro da cabana, as meninas colocaram as restantes figuras, o presépio era composto apenas pelas figuras principais. Árvore e presépio ficaram prontos, a avó ligou as luzes, acendeu umas velas pela casa, colocou uma coroa de natal na porta de entrada, assim, deu à casa aquele espírito natalício que já se vive fora de portas. 

 

A avó recua no tempo e revive a época em que ia ao pinhal, levava um serrote, procurava um pinheiro com o tamanho e a forma que mais se adequasse ao seu gosto, era sempre um pequeno pinheiro, cortava-o  e trazia-o para a árvore de natal, metia as mãos por debaixo das camadas de musgo, procurava o mais macio e verde, rasgava-o em bocados grandes que trazia para casa numa caixa de madeira, trazia também umas heras, areia e algumas pedras. Montava então um grande presépio, com as pedras cobertas de musgo dava-lhe relevo em alguns locais para formar os montes e vales, com a areia que levou, desenhava os caminhos por onde passavam os pastores na sua ida  para visitar Jesus. As heras ajudavam a decorar e dar uma idéia mais real ao cenário. Colocava então as figuras, eram muitas, havia as figuras principais e também mais uma catrefa delas: pastores, muitas ovelhas, cães, o anjo em cima da cabana, lavadeiras, padeiros, os três reis magos, mendigos etc.

 

Com a chegada dos pinheiros artificiais esta prática deixou de existir, evitou-se assim o corte de tantos pinheiros em crescimento nesta quadra, também não se montavam tantas árvores de natal, montavam-se mais os presépios com musgo real.

 

Bom Natal!

 

 

 

08
Dez15

Adele

Maria Flor

 Adele - uma voz lindíssima sem dúvida! embora goste muito de a ouvir, por vezes, confesso, que já fico um pouco cansada de sempre que ligo o rádio, seja no carro seja em casa, estar sempre a ouvi-la. Outras vozes lindíssimas existem e quase não passam, o que é uma pena!

07
Dez15

Uma história de Natal contada às crianças

Maria Flor

Avó conta-me a história do natal, diz a menina sempre curiosa de saber tudo, uma cabecinha sedenta de aprender, de saber o porquê das coisas, dos acontecimentos.

A avó começa então a contar - era uma vez - assim começam todas as histórias - uma senhora  que se chamava Maria, estava grávida, ia ter um bebé, e o seu marido José era carpinteiro, tiveram que viajar para outra terra para comparecer a uma reunião importante, a viajem demorava muitos dias porque a terra para onde eles iam ficava muito longe, eles viajavam muito devagar, de burro (não havia automóveis, nem aviões como há hoje). Quando estavam em viajem, o bebé que Maria trazia na barriga, nasceu, não havia nenhum hospital e os hotéis estavam todos cheios, não havia lugar para onde eles pudessem ir, só encontraram uma cabana feita de madeira com musgo à volta, lá dentro estavam uma vaca, um boi e algumas cabras, era o único sitio abrigado que eles encontraram, o bebé teve que nascer ali mesmo no meio da palha que os animais comiam - avó, e os animais não fizeram mal ao bebé tão pequenino? - Não, não só não fizeram mal, como também o aqueceram com o calor dos seus corpos, os animais eram muito mansos, responde a avó à coriusidade sempre crescente e aguçada da menina. Ao menino foi dado o nome de Jesus. Depois, vieram pastores de muito longe visitar Jesus. Um anjo vestido de branco apareceu aos pastores e lhes anunciou que tinha nascido em Belém, numa manjedoura, um menino que eles deviam ir adorar, pois este menino tinha nascido para salvar todas as pessoas. Uma estrela muito brilhante surgiu então no céu e os pastores perceberam que era aquela estrela que os iria guiar até Jesus, seguiram sempre essa luz até encontrarem a cabana onde Jesus estava com os seus pais. Os pastores levaram prendas para oferecer a Jesus.

 

A avó continua a falar da história - sabes, quando tu fazes anos, recebes prendas e tens uma festa, convidas os teus amigos, assim é como o natal que é a festa de anos de Jesus e todas as pessoas são convidadas, porque Jesus é amigo de todas as pessoas. As familias reunem-se na casa umas das outras e fazem uma festa para comemorar o aniversário de Jesus e também trocam prendas! 

 

Avó, que historia tão bonita, achas que eu tanbém poderia dar uma prenda a Jesus?

 

Sim, responde a avó - sempre que tu dás alguma coisa para ajudar os outros, já estás a dar uma prenda a Jesus. Ele fica muito feliz quando os meninos e meninas são bons uns para os outros.

 

Que bom avó, não me vou esquecer nunca desta história!

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05
Dez15

Aceito o café

Maria Flor

Levantara-se com um propósito, no dia anterior tinham combinado aquele encontro, há muito que ansiava por ele. Não se viam há mais de três anos, mantinham uma amizade especial, não se tinha esquecido dele, embora se tivesse habituado a viver sem pensar nele. Naquele dia uma mensagem nas redes socias fez despoletar o que parecia estar esquecido.

Abrira o armário da roupa e procurara peças que combinassem bem entre si, queria se apresentar bem. Um pouco de batom, um pouco de perfume, estava pronta para sair, tinha expectativas!

Chegara ao local combinado, era um grande jardim público, as árvores seculares e imponentes estavam ali para presenciar um encontro entre duas pessoas que não se viam há muito tempo, que ansiaram uma pela outra sem o nunca o terem dito, tinham se afastado sem se nunca se terem tocado, apenas os seus olhos disseram o que as bocas calaram.

Agora, iam  se encontrar, ela estava ansiosa.

Sentara-se num banco, esperou, ele tardava, o telemóvel emitiu o som de uma mensagem a chegar, abriu a mensagem "não posso ir", apenas isto - não soube o que pensar.

Voltou a sentir aquele amargo no estomago, aquele amargo que se sente quando comemos algo que não sabe bem, desiludida, olhou triste o telemóvel e levantou-se, caminhou pelo jardim, olhou as flores, achou-as lindas e pensou - que direito tenho eu em estar triste por esta desilusão, se tenho a possibilidade de passear neste jardim lindo onde tudo cresce com uma beleza estonteante, onde a paleta de cores inebria, onde as árvores parece que conversam connosco.

Ao longe, observa um casal muito jovem de namorados que passeia de mão dada, riem e brincam - como é linda a juventude - pensa. O seu tempo de jovem já passou, também já passeou assim naquele mesmo local de mão dada com o amor da sua vida. As lembranças, são sempre as lembranças que vêem

Sai do jardim ainda com aquela sensação de desilusão, entra num café e pede um café, bebe-o sem acúcar, não suporta o café doce, alguém se aproxima dela e lhe pergunta se pode se sentar ali e pagar-lhe o café, - sim aceito o café!

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01
Dez15

Relação amorosa

Maria Flor

Quando, ainda menina habituara-se a ver a Senhora Alberta, mais conhecida por Berta, sentada no banco do automóvel em dias de sol, na companhia de um homem que era seu amante (um homem casado), os dois coversavam e desfrutavam a companhia um do outro, o sentimento que os unia, ela, ainda criança, jamais saberia. Nessa época, uma relação assim causava estranheza e era motivo de conversas nos lugares pequenos onde toda a gente se conhece e, onde toda a gente sabe tudo da vida uns dos outros. A Senhora Berta era uma senhora solteira (ou solteirona) como se  dizia na altura, de feições bonitas e finas, arranjava-se muito bem, vivia sozinha com o seu gato amarelo de pêlo macio e bem tratado. Era frequente vê-la no jardim a cuidar das suas plantas. Na Primavera, quando as roseiras começavam a florir, o jardim era uma explosão de rosas de todas as cores. Pelos seus modos educados e a forma cuidadosa que dedicava à sua aparência, era uma senhora diferente das restantes senhoras daquela aldeia. Porém, esta diferença não impedia que todos lhe dedicassem o devido respeito. Não tinha filhos nem sobrinhos, tinha aquele homem, o companheiro que lhe preenchia o vazio que habitava a sua alma e corpo. O Senhor X e a Senhora Alberta já não eram novos, iam envelhecendo unidos pela aquela relação ou aquele amor a que se tinham habituado. Certa altura, o senhor deixou de aparecer e soube-se na aldeia que tinha morrido. A senhora Alberta que só o tinha a ele, ficou entregue à sua solidão de mulher sem companheiro, sem filhos, sem sobrinhos, sem familia alguma. Entrou num estado de melancolia e tristeza e começou a definhar lentamente. Era difícil lidar com a perda e a idade um pouco avançada também não ajudava, a tristeza que lhe invadia a alma ia-a consumindo dia após dia, também não era senhora de muitas conversas. Tinha uma vizinha que era a sua única a amiga, que lhe dava algum conforto moral.  A senhora Alberta vivia numa boa casa, que era sua, pintada de cor verde, com o tal jardim que ela cuidava com a ajuda de um jardineiro. Quando adoeceu gravemente, a amiga cuidou dela com o amor e carinho como se de uma pessoa de familia se tratasse, a casa iria ficar para ela, estava escrito em testamento. A relação de amizade que estabeleceram ao longo dos anos foi o raio de luz que iluminou  os últimos e dificeis momentos da Senhora Alberta! 

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