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Abrigo das letras

Abrigo das letras

15
Jun14

Desagrado

Maria Flor

O que é isto? perguntei eu a mim mesma quando cheguei à praia, outras pessoas fizeram a mesma pergunta para si e para todos os que quizeram ouvir. Havia chapéus de sol (daqueles que agora as entidades competentes colocam em todas as praias a dar a impressão que estamos num país tropical), e espreguiçadeiras de madeira feitas com paletes (muito originais por acaso), até aqui tudo bem, o que despertou a revolta dos veraneantes foi que, à volta do perímetro dos chapúes e espreguiçadeiras foi feito um murinho com as pedras que foram retiradas aquando a limpeza do referido perímetro. A primeira impressão - temos um espaço limpo na praia que está vedado e o resto da praia são só pedras grandes e pequenas - o que significa? ouvindo conversas daqui e dali percebi que as entidades competentes vão a partir de amanhã (16 de Junho) dia em que abre oficialmente a época balnear, começar a cobrar a quem queira ocupar o tal espaço - Estamos a falar de uma praia à qual foi atribuído a bandeira azul e está incapaz de se tomar um banho ou até molhar os pés, porque toda ela são pedras e limos. Ainda por cima querem cobrar no pequeno espaço que limparam? A indignação é total...

13
Jun14

A saga do telemóvel

Maria Flor

Ok, o telemóvel apareceu, mas nem por isso ela ficou satisfeita. Já era noite há bastante tempo quando ela deu por falta do telemóvel, esse aparelhinho que se tornou indispensável, que se tornou numa companhia de dia e noite (quase uma obsessão). Quando o procurou  e não o encontrou, usou a tática mais óbvia, ligou para si mesma, surpresa, ou talvez não, o toque era de desligado. Pronto, pensou, "perdi-o, alguém o achou e já lhe retirou o cartão". Foi então que começou a recapitular as últimas utilizações e, só se lembrou de ter visto as horas às 18,30h na praia. O seu pensamento - quando viu as horas, o telemóvel deve ter escorregado do saco no momento em que o guardou, ter caído na areia e lá ter ficado, quando a maré encheu, levou-o: ficou assim convencida de que foi o que aconteceu. Pelo sim pelo não, ligou para a operadora e pediu para bloquear tudo. Iria pedir uma segunda via do cartão. No dia seguinte a falta do aparelho causou-lhe muito transtorno e perda de tempo, uma vez que havia assuntos urgentes para tratar. Dirigiu-se a um agente da operadora e perguntou: se pedisse agora a segunda via do cartão se este ficava logo operacional, a resposta foi afirmativa, mas, há sempre um "mas", o sistema estava em manutenção e iria estar nas próximas horas, não era possível obter nada, que frustação. Assim, foi para casa desanimada. Como, quando se chega a casa hà sempre a vontade de ir á casa de banho, foi para lá que se dirigiu e, enquanto desabotoava o botão das calças, olhou para dentro da sanita - um objeto escuro estava no fundo da sanita - a medo (não fosse algum bicho ter entrado pelo esgoto acima) com o cabo da escova do cabelo tocou no objeto, era duro, não parecia ter a consistência de bicho. Muniu-se de uma luva e meteu a mão dentro da sanita - "não acredito" disse em voz alta, era o telemóvel. Esquecera-se de que, quando chegou da praia o meteu no bolso de trás das calças para ir ao quintal ver as alfaces e outras coisas, de volta a casa foi á casa de banho. O aparelhinho que a acompanhava há já alguns anos, caíu na sanita e ela não deu por isso, ficou mergulhado na água e na espuma do desinfetante durante muitas horas! Colocou-o ao sol por dentro no parapeito da janela, ali ficou dias e mais dias, tentou algumas dicas para a sua recuperação mas nada surtiu efeito, foram muitas horas mergulhado ne água, continua em estado morto.  Tinha anos de uso, era muito estimado, andava sempre protegido com a sua capa própria de cor preta, raramente caía ao chão, estava em muito bom estado, é com muita pena que ela lhe diz adeus para sempre. Agora, é hora de adquirir outro, será um mais sofisticado, com mais funções, possivelmente com funções a mais que nunca vão ser utilizadas, mas então, os telemóveis agora fazem tudo, só é pena que não trabalhem por nós - ou não será bem assim - antes do telemóvel a vida e a comunicação entre as pessoas eram muito diferentes. Hoje comunica-se muito,(existe mil maneiras de comunicar) mas convive-se pouco... E aquela ansiedade da chegada do correio? Quem ainda se lembra dela? E a paixão de escrever cartas onde está?....

 

Conselho: Evitem colocar o telemóvel no bolso de trás das calças

11
Jun14

Tempo de ler

Maria Flor

Este foi o livro que escolhi para ler nestes poucos dias de férias. Nunca tinha lido nada de Agustina e não me perdoo por isso .... Agustina tem uma forma de escrever tão linda, tão sábia! 
09
Jun14

Praia

Maria Flor
praia
A tarde está a chegar ao fim, as poucas pessoas que estavam na praia neste dia ensolarado de Junho, já foram embora. A maioria dos veraneantes deste dia de praia, eram estrangeiros. Casais novos com bebés pequenos, alguns jovens e pouco mais. Gosto de estar na praia sem a confusão do verão, gosto de sentir o sol a aquecer a minha pele e as ondas a bater no meu corpo, caminhar descalça na areia molhada e pisar a espuma que vem beijar os pés, saborear o cheiro a maresia em fim de tarde ou logo pela manhã, observar as gaivotas que vêm procurar alimento, vislumbrar um ou outro barco que aparece na linha do horizonte, comtemplar o sol a descer e a esconder-se por detrás de todo o mar que  vista alcança.....