Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Abrigo das letras

Abrigo das letras

20
Jan13

Inverno

Maria Flor

Por detrás da vidraça, vai tecendo malha atrás de malha como se de um rosário se tratasse, com o objetivo de confecionar um xaile para se aquecer neste tempo de inverno. Lá fora formou-se um denso nevoeiro e não deixa a vista alcançar mais do que o espaço até á cerca, a chuva não para de cair, o frio não desaparece. Na lareira da sala crepitam as chamas que transmitem uma reconfortante sensação de calor e bem estar. A noite está a cair, muito cedo é verdade, mas vai ser assim ainda durante o resto do Janeiro e também Fevereiro. Lá diz o ditado " janeiro fora conta uma hora, se bem contar hora e meia há-de achar". O inverno é por si só uma estação desconfortante, longa e fria, conforta-nos a idéia de vestir camisolas quentes e de toque macio, bonitos casacos e boas botas, sentarmo-nos em frente a uma lareira e deitarmo-nos numa cama quente  e dar graças a Deus por tudo isto, ter. Não podemos, porém, de deixar de pensar em quem nada tem, nem um teto sequer. Se todos fizermos um pouco que seja para tornar a vida destas pessoas menos agreste, o pouco de muitos será uma imensa generosidade.

20
Jan13

Alerta vermelho

Maria Flor

Um forte temporal alastra por todo o país. As janelas que não estão devidamente calafetadas, deixam entrar pelas frinchas um vento frio. O vento, a chuva e o frio que se faz sentir do lado de fora das janelas não convida a colocar os pés na rua. A fúria do vento é tanta que com a sua força descontrolada corta os troncos e as folhas das árvores e outras, arranca pela raíz. A sua voz inconfundível faz-se ouvir, não num murmúrio inaldível, mas sim num brusco e ensurdecedor som que faz arrepiar os ouvidos. Atravez das noticias ouve-se os relatos das várias ocorrências que se vão verificando ao longo do dia, por todo o país. Os bombeiros não têm descanso no socorro a tantas solicitações. As adversidades do tempo são comparáveis às adversidades da vida de cada um - se há alturas da vida em que tudo corre bem o que, confere à pessoa  a ilusão de que será sempre assim - de um momento para o outro tudo se pode desmoronar e a vida ter que assumir outro rumo. Pode -se prever que o tempo poderá entrar em alerta vermelho dentro de algumas horas, pode-se tomar algumas providências para diminuir estragos. As adversidades nas condições meteorológicas possuem um carisma próprio que cativam a nossa atenção seja pela sua condição ou pela sua beleza. Um mar revolto assumido da sua força levanta vagas tão altas que se desvanecem em lençóis de espuma branca sobre a praia e fazem deslumbrar um olhar apreciador da sua beleza. Uma trovoada que de repente ilumina a terra com os seus raios serpenteando aos siguezagues no vazio, é algo digno de se ver, não obstante o pânico que transmite.

15
Jan13

Um desejo consumista para 2013

Maria Flor

Viajar até à Austrália e estar lá uns seis meses no mínimo. Embora me apavore o tempo de voo e a diferença de horário, embarcaria nesta jornada de boa vontade, se os meios económicos o permitissem. Iria no nosso periodo de Inverno porque é o Verão deles, e assim usufruiria de um ano inteiro de Primavera e Verão. Iria de férias é claro e teria fundo monetário para passear e conhecer muito da Austrália, conhecer as suas gentes, a forma como vivem e a sua cultura. É na verdade um desejo consumista e um tanto dispendioso para os tempos que correm, mas não para todos, porque a situação actual torna os ricos ainda mais ricos e os remediados e os pobres cada vez mais pobres. O consumo desgovernado que se verificou até um passado muito recente, tende agora a ser mais cauteloso por variadas razões, a começar pela falta de dinheiro, pela sensibilazação das pessoas para pouparem para a eventualidade de alguma situação inesperada menos boa como seja o desemprego, uma doença, ou para a reforma que, como todos sabemos a segurança social está a "rebentar pelas costuras" com tantas reformas, tanto subsidio de desemprego, tanto subsidio social para pagar, e tão pouca gente a trabalhar para pagar impostos. Portanto, viajar até à Austrália neste momento é uma viajem  a pôr de parte.

11
Jan13

Enfrentando a crise

Maria Flor

Sara (nome ficticio) deixa o carro num qualquer estacionamento e dirige-se ao primeiro local que tinha planeado para se deslocar nesse dia, depressa resolve o assunto pois a fila de espera era quase nula, resta salientar que em outros tempos, esta fila era interminável. O outro local onde tinha assunto para tratar deixou-a pasmada, era uma clinica que dantes estava sempre cheia de gente à espera pela sua vez e, onde as consultas ou exames eram marcados para uma determinada hora e só aconteciam uma hora ou mais depois, pensou; "será isto efeito da crise ou trata-se de uma situação pontual? "não havia ninguém há excepção das funcionárias que assistiam de pé ao programa que passava na televisão, atreveu-se a comentar: "há greve na saúde!" ao que elas responderam: "ainda não se apercebeu que há greve e bastante grave, as pessoas que antes iam ao médico por uma dorzinha insignificante num dedo, agora só vão quando o dedo estiver a cair, para já não falar nos exames que os médicos se recusam a passar". Tratou do assunto que a levara ali rápidamente e, passou ao local seguinte, deslocando-se sempre a pé, já levara calçado apropriado para isso, não fosse aquela unha meio encravada começar a reclamar, o tempo era mais que suficiente, em outros tempos ia sempre de carro para todo o lado, mesmo curtas distâncias, parecia que não havia tempo suficiente num dia para se fazer tudo o que era planeado para aquele dia. Enquanto se deslocava a pé ia distribuindo "Bons dias" a toda a gente que com ela se cruzava, a bem dizer não eram muitos, pelo caminho fica a saber que fulano tal morreu, já contava quase noventa anos, disseram-lhe, "onde estão as pessoas" interrogava-se enquanto caminhava mas, era óbvio que as pessoas estavam em casa, pois estão desmpregadas e não têm dinheiro para ir para a rua ou outro sitio qualquer gastar, observava os estabelecimentos comerciais e deparava com os seus proprietários ou empregados à porta destes a fumar ou a falar uns com os outros ou ao telemóvel. Na vinda para casa, agora de carro, faz o possível para respeitar os sinais de trânsito, não vá aparecer alguma multa em casa para pagar, (não se pode dar a esse luxo) e conduz devagar para gastar menos combustível. A crise obriga a estes comportamentos, afinal nem tudo o que a crise tráz é mau, conduzir mais devagar, não falar ao telemóvel enquanto conduz é um comportamento que evita muitos acidentes e, todos sabemos como estão os cortes na saúde e como as taxas moderadoras e a compra de medicamentos pesam na carteira de todos. Passou por casa da mãe para lhe dar um beijinho de parabéns e uma pequena lembrança (está sempre a dizer que não precisa de nada) ela conta hoje oitenta e seis anos, bonita idade. Mesmo aqui deu por si  pensar: "gostaria de chegar a esta idade e estar tão bem como ela", a vista é que é o pior diz a mãe, no entanto faz renda com rapidez, talvez seja mais pelo tato do que pela vista, gosta muito de conversar e ninguém na aldeia conta histórias como ela, algumas que conhece desde sempre e que nunca as esqueceu, outras, lê na revistinha "dica" e decora-as para depois as contar na primeira oportunidade.

10
Jan13

Se eu pudesse ser uma ave!

Maria Flor

Enquanto esperava para adormecer, ocorreu-me a idéia de que se eu pudesse ser uma ave, que ave escolheria eu para ser? Uma pomba! eu escolheria ser uma pomba porque ela é uma ave feminina, graciosa, elegante e sobretudo está associada ao simbolo da paz. A sua origem data desde a história de Noé e da sua Arca. Um desses episódios é narrado primeiro livro do Velho Testamento. Noé, que esperava na Arca o fim do dilúvio, mandou um animal mensageiro para ver se as águas haviam baixado. O primeiro escolhido foi o corvo, que ficou voando para lá e para cá e perdeu a oportunidade de ganhar a simpatia da humanidade. Então Noé enviou uma pomba, na primeira viagem, ela não encontrou nenhum lugar para pousar. Sete dias depois, foi novamente solta e retornou com um ramo de oliveira no bico. Isso, de acordo com a narrativa bíblica, simbolizava a PAZ entre DEUS e os homens ”Além disso, o ramo de oliveira significava também garantia de alimentos de remédios e da benção divina.” Assim que Jesus foi batizado, o espírito de Deus desceu sobre ele sobre em forma de uma pomba. Desde então, a pomba é associada ao Espírito Santo. Eu seria uma pomba branca e tu? que ave serias?

09
Jan13

Leituras para 2013

Maria Flor

Sendo a leitura um dos meus passatempos favoritos e tendo em conta que em 2012 li quinze livros, alguns recomendo vivamente, tais como "Catarina de Aragão", "O último judeu", "Nas margens do Rio Piedra" ou ainda "Samir e Samira", estes são apenas algumas sugestões, pois gostei de todos, cada qual no seu gênero. Quando um livro não está a prender a minha atenção, abandono a leitura desinteressadamente. Para 2013 penso continuar a ler ao mesmo rítimo, até porque a biblioteca municipal é inesgotável e possui quase tudo o que me pode interessar. Há contudo dois livros que gostaria de ler sem ter que os comprar e que a dita biblioteca não possui e não os vai adquirir por questões de economia devido á crise que todos os organismos atravessam. São os dois ultimos romances de José Rodrigues dos Santos, "O último segredo" e " A mão do diabo". Neste momento a leitura em curso é "Rosa brava" de José Manuel Saraiva. Na minha lista para 2013 está ainda entre outros "O toque de midas" e o primeiro volume de "Um mundo sem fim" de Kent Follett. 

08
Jan13

2013

Maria Flor

2012 deixou atrás de si um rasto de incerteza, de desilusão, de gente que não sabe o que fazer, de pessoas que deambulam pelas ruas sem saber para onde vão, de crianças que vão para a escola sem comer, de gente que fica sem casa....de governantes que já não conseguem iludir ninguém por tantas mentiras que dizem e tantas impostorices que demonstam....

O ano que se inicia, terá que ser um ano de muita reflexão sobre todos os aspectos da vida, seja pessoal, financeira ou profissional, é óbviamente  importante que se (pense duas vezes) antes de tomar qualquer decisão. Todos os dias somos confrontados com decisões a tomar e escolhas a fazer, mesmo que sejam pequenas escolhas. As escolhas acertadas são resultado de ponderação e comparação. É hora de se fazer um balanço sobre o ano que agora terminou e refletir nos aspetos que correram menos bem e o que se poderia ter feito e não se fez para que os mesmos tivessem corrido melhor. Também é hora de analizar as opções acertadas que de fez e tirar delas o benefício adquirido para assim proceder quanto as outras decisões. Excelente ano de 2013 para todos!